quarta-feira, 26 de junho de 2013

Biografia - Hilma af Klint e Obra

Sua obra foi deliberadamente feita para ser vista e compreendida no Futuro, de seu tempo.
Hilma af Klint - 26 de outubro de 1862 / 1944
Uma retrospectiva da artista Hilma af Klint em Berlim, mostrando a importância de sua obra em um artigo publicado na Deutsche Welle - Clicar sobre - Pioneira da abstração Hilma af Klint ganha retrospectiva em Berlim, nos instigou a conhecer um pouco mais sobre esta mulher que viveu nos séculos XIX e  XX.
Hilma af Klint
Hilma af Klint nasceu no dia 26 de outubro de 1862 - Kalberg Castle - Cidade de Solna - Suíça e partiu em 1944. Sua arte retrata, de maneira abstrata, o inconsciente, o espiritual e, para alguns, as energias invisíveis. Af Klint pertencia a um grupo chamado “The Five” e foi uma das pioneiras da abstração ao lado de Kandinsky e Mondrian. Teve sua obra guardada longe do público por décadas.Vamos entender porque. 
Seus pais, Capitão – Comandante Naval Victor af Klint e Mathilda af Klint, levavam a pequena Hilma e seus três irmãos para passar os verões com a família na fazenda da ilha de Adelsö em Lake Mälaren. Este foi a primeira parte de sua vida onde Hilma tinha contato com a natureza e de onde extraiu, anos depois,  criar várias formas, as quais foram fonte de inspiração de seu trabalho. De seu pai herdou o gosto pela matemática.
Kalberg Castle
Kalberg Castle - 1690
Castelo Kalberg construído em 1630, foi um presente de casamento ao casal real Gustav III e Sophia Magdalena. O local foi transformado em uma Academia de Guerra, pela rainha, então viúva. Em 1796, o arquiteto Carl Christoffer Gjörwel foi contratado para coordenar a ampliação do palácio para acomodar os cadetes. Foi ampliado as asas, adquirindo a configuração atual. O pai de Hilma af Klint era um Capitão e o que tudo indica, morava neste local com sua família.
Estocolmo

Quando tinha 18 anos, sua irmã Hermina faleceu e neste momento, Hilma af Klint se aproximou das questões espirituais e passou a estudá-las. Frequentou Centros Espíritas. Já tinha habilidades com desenhos.
Logo sua família se mudou para Estocolmo, quando ingressou na Academia de Belas Artes e estudou de 1882 até 1889 nesta escola. Neste tempo aprendeu a desenhar retratos e paisagens.



Na escola conheceu a amiga Anna Cassel com a qual e mais 3 amigas formaram “The Five”- grupo de artistas que compartilharam as mesmas idéias filosóficas. 
Em 1892,  Hilma que frequentava sessões espíritas em Centros Espíritas, começou a pintar imagens de suas idéias místicas e mensagens, por ordem de uma entidade superior que ela chamava Ananda. 
Em 1904, executou um conjunto de obras que ficaram conhecidas como The Temple. Alguns dizem, ser seus trabalhos mais importantes. Nestes, Hilma buscou transmitir toda a evolução e descrever os princípios e leis eternas, junto com o lado imortal do homem. The Temple é composto de 193 pinturas subdivididas em série. 

Entre novembro de 1906 e março de 1907, Hilma pintou uma série de resumos, telas de pequeno tamanho, que chamou de  Caos Primordial. Alguns destes trabalhos são reminiscencias de paisagens, um mar tempestuoso, sobre o qual piscam luzes misteriosas. Outros trabalhos desta série, seguem uma técnica bem livre a partir de representações de figuras e formas combinando-se entre si. Muitas destas formas são geométricas, espirais com pinceladas dinâmicas, letras do alfabeto e símbolos. O resultado é expressivo e muito semelhante aos desenhos feitos feitos pela artista em sessões espíritas durante a década de 1890 - de maneira inconsciente - o que os surrealistas chamariam,  mais tarde, de "desenho automático". O Caos Primordial foi um "embrião", do que ela produziria nos próximos dois anos - 200 pinturas abstratas. Entre agosto e dezembro de 1907, Hilma criou uma série de obras monumentais, consideradas as 10 maiores, a partir de formas ovais, círculos e linhas sinuosas em cores vivas. A formas orgânicas das primeiras abstrações deus lugar a um geometrismo rigoroso.

De 1906 até 1908 foram feitas mais 111 pinturas. Hilma, nesta época, frequentava um grupo de teosofia, mais tarde a sociedade antroposófica, quando ela comentou estar sendo orientada por outra dimensão, espiritual para a execução destes trabalhos.
Hilma disse a pessoas próximas que ela era um tipo de interprete do trabalho produzido. Disse que pintou, mas não coordenou através de sua vontade, a partir de esboços preparatórios e estudos. Fez-nos com "muita segurança" e diretamente na obra final. Disse ainda que não sabia qual seria o resultado final, simplesmente desenhava de maneira livre, com rapidez e sem hesitação, sem alterar a pincelada. 

Passou-se um tempo de 4 anos e entre 1912 e 1915, fez mais 82 pinturas. Neste conjunto, Hilma disse que fez as pinturas com sua interferência e vontade.

Entre outubro de 1914 e março de 1915, a artista fez 24 pinturas, que ilustram, em diferentes graus de abstração entre um cisne branco e um cisne negro sobre um fundo vermelho. Também fez composto de formas circulares. A série recebeu o nome de The Swan. Hilma af Klint pretendia visualizar uma união maior entre os opostos do mundo polarizado, como: masculino – feminino, luz - trevas. Seu trabalho pretendia mostrar a reconciliação dos opostos e embates a partir da integração e da unidade.


Rudolf  Steiner
Após 1915, Hilma deu seqüência na sua produção artística com uma maior variação temática, mas ainda com a presença do contato espiritual
Entre 1920 e 1941, pintou aquarelas, com influencia da filosofia de Rudolf Steiner.
Enquanto Hilma af Klint estudava assuntos da metafísica tentando compreender a vida pós a morte em função da morte de sua irmã, produzia arte abstrata reservadamente, em uma produção paralela a artistas como Mondrian, Malevich e Kandinsky. Seus primeiros trabalhos são datados anteriormente às datas dos primeiros trabalhos destes outros artistas da Arte Abstrata.
O trabalho da artista também é considerado um trabalho amplo dentro do estilo modernista, pois busca novas formas sob ponto de vista espiritual, político e científico do início do século XX.

Ela produziu mais de 1000 trabalhos até 1941 e solicitou, em testamento, que sua obra fosse mostrada somente 20 anos após a sua morte. Entendia que seus contemporâneos não teriam condições de compreender o significado completo da obra e de fato, ela tinha razão. E assim aconteceu. Durante sua vida, fora  mostradas ao grande público  suas peças abstratas. 
Alguns afirmam, que sua obra, foi uma tentativa de compreender, com profundidade, o mundo e a existência humana. Foram mais de 1000 pinturas, esboços e aquarelas, nas quais desenvolveu uma linguagem formal, predominantemente orgânica e mais tarde geométrica.






















Muitos dos pesquisadores de arte e da obra de Hulma af Klint, questionam - O que levou a artista à abstração? Alguns afirmam que, além da morte de sua irmã, com o passar do tempo, Hilma direcionou seu interesse para as forças da física, invisíveis. Segundo estes pesquisadores, Hilma não se limitou somente ao conhecimento do Ocultismo. Até o final do século XIX, tinha sido descobertos muitas forças invisíveis, como: luz infravermelha, raios-X e campos eletromagnéticos.
Também, há aqueles que afirmam que, ao analisar a obra de Hilma, é pesceptível sua tentativa de  pintar as melodias de uma música

Annie Besant
Sua proximidade com autores teosóficos, como Annie Besant e Charles Leadbeater, a motivariam a esta tradução da música para formas visuais. Uma gravura de um caderno seu de 1902, tem a representação de linhas em "zigue-zague" vermelhos e círculos pretos, que recebeu o nome de Explosiva. Outro desenho de 1905, apresenta  uma explosão colorida de formas, chamado  de Música de Gounoa. Há quem afirme que Hilma af Klint reproduzia suas percepções musicais, a partir do contato com o mundo espiritual, em suas pinturas. Ela percebias as cores, quando ouvia música.
Um dos textos mais respeitados da Teosofia - publicado em 1904/1905, escrito por Rudolf Steiner, tinha como título: "Como conhecer mundos superiores". Muitos afirmam, através das pinturas de Hulma af Klint e Kandinski.

Em 1970, grande parte de sua obra foi oferecida, em forma de doação, ao Museu de Estocolmo Moderna Museet, que a recusou.
O historiador de arte Äke Fant, sensibilizado com a arte de Hilma, a introduziu em uma audiência internacional na década de 1980 e foi somente em 1984 que foi apresentada pela primeira vez em uma Conferência Nordik, em Helsinque. Sem perder tempo, Fant inscreveu alguns dos trabalhos da artista para entrar no catálogo de 1986, do Los Angeles County Museu, of Art. Nome da exposição: A Arte espiritual – pintura abstrata 1890/1985, organizado por Maurice Tuchman. Esta foi a primeira, entre outras exposições de Hilma af Klint que aconteceriam posteriormente. 
A grande maioria daqueles que visitaram as exposições da artista - críticos e estudiosos de arte - reportam à obra e a mesma, como autora de um a trabalho criativo de vanguarda, abstrato e moderno, sem igual, iniciado em 1906.
Sua obra é formada por grandes peças abstratas e é reconhecida por ter sida a primeira artista a ter representado um abstrato,  antes mesmo de Kandisnski, que ocupava este lugar. Seus mais importantes trabalhos giram em torno de 200, entre outras inúmeras  pinturas, os quais jamais foram exibidas antes da década de 80. Para Hilma af Klint, a dimensão espiritual dos trabalhos era o que importava. Ela, como outros intelectuais e artistas de sua época, estavam interessados em espiritismo, teosofia e antroposofia. Atualmente sua obra vem sendo reverenciada e estudada, a partir de seu conteúdo e recorte de tempo no qual foi produzida. Após, mais de 100 anos dos primeiros trabalhos produzidos, sua obra vem sendo apresentada ao grande público, através de exposições em grandes e importantes espaços de arte, pelo mundo. Neste momento, em Berlim. 
Toda a obra da artista pertence à Hilma af Klint Fundação, criada por seu sobrinho após a sua morte, com objetivo de fazer validar sua vontade de torná-la pública 20 anos após a sua morte. O que aconteceu somente 60 anos depois após a sua morte.

A exposição Hilma af Klint, uma Pioneira da Abstração estará em cartaz no Hamburger Bahnhof - em Berlim, até 6 de outubro próximo. Um bom programa para quem estiver na capital da Alemanha.







Atualmente sua obra foi exposta em grandes salas da Europa e até mesmo no Museu que negou a doação de seu trabalho - Estocolmo Moderna Museet como ilustra o vídeo. 





A seguir, observações da obra, em vídeo, em uma amostra, com riqueza de detalhes. Vale a pena assistir.


A Arte como "pontes" entre mundos, 
pontes entre períodos históricos, 
pontes entre culturas e filosofias...
Quebra de paradigmas.





Um comentário:

Anônimo disse...

Uma obra surpreendente; também um exercício de humildade e generosidade da parte da artista em compartilhar todo o seu trabalho só após sua morte.